Apartamento Três Planos
O domínio de tipologias menores em novos edifícios residenciais acaba por ditar novas demandas para a arquitetura de interiores. Nessa reforma para um casal jovem em seu primeiro apartamento, foi fundamental subverter a lógica dos espaços mínimos para atender, com completa personalização, um modo de vida dinâmico, normalmente ausente das plantas humanizadas dos folhetos imobiliários. Foram contemplados espaços de trabalho e tempo livre em diálogo com o programa habitual de uma moradia, garantindo qualidade espacial para diferentes faces do cotidiano.
Três demandas principais nortearam o projeto: ampliar a área social para receber amigos e família; criar um espaço confortável dedicado ao trabalho, dada a presença da atividade na rotina do casal; e servir de apoio a hobbies variados, da literatura à coquetelaria e aos videogames. Entregue com dois dormitórios, esse apartamento de 35 m² apresentava planta enxuta e pragmática, mas com possibilidades interessantes de alteração. A supressão de um dos dormitórios expandiu a área social, um gesto fundamental para o aproveitamento das diferentes atividades solicitadas.
A partir dessa expansão da sala de estar, o espaço foi estruturado em três planos, que deram nome ao apartamento. Na maior parede, junto às janelas, um grande banco de pastilhas brancas se estende entre as duas extremidades: de um lado, um rack de 3 metros de largura serve de armazenamento, apoio para eletrônicos e bar; do lado oposto, a mesa do escritório oferece amplo espaço de trabalho. Entre os planos, são conformados três ambientes, com a mesa de jantar posicionada entre o escritório e a sala de TV. Um sofá ilha com encosto móvel auxilia na adaptação para diferentes usos, solução que possibilitou a inclusão de uma mesa de até 8 lugares, algo raro em apartamentos de mesma metragem.
O tampo em granito piracema dialoga com o granito são francisco da cozinha, compondo uma paleta que vai das pedras naturais à madeira, com prateleiras em metal branco e elementos em concreto aparente. Visualmente, blocos de cor se opõem entre cozinha, estar e escritório: a marcenaria em tons fechados acompanha a bancada da cozinha e o lavatório do banheiro, em um volume sólido e único, que dialoga com o rack da sala. Enquanto o banco em pastilha branca e a pedra acinzentada da mesa fazem transição ao branco completo do escritório, base neutra para a coleção de livros. O piso monolítico em tecnogranito branco com pontos pretos na área social e o microcimento areia no banheiro evitam rejuntes e reforçam a sensação de amplitude.
A supressão do forro de gesso, que reduzia em 30 cm o pé-direito, trouxe maior amplitude e permitiu marcenarias que chegam até a laje de concreto aparente. No dormitório, o pé-direito ampliado otimiza o armazenamento, e uma bandeja de luz arremata o desenho da marcenaria, ocultando a tubulação de exaustão do banheiro. O pilar de concreto aparente se destaca e completa o diálogo com a laje.
Esse exercício demonstra a importância de uma boa arquitetura para moldar os espaços à vida dos moradores, e não o contrário.





















